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sábado, 24 de novembro de 2012

ATIVIDADE COMPLEMENTAR DE HISTÓRIA - 1º ANO


ATIVIDADE COM O FILME LUTERO
Importante: para aqueles que  fizeram a produção da história sobre as lendas medievais e precisam, portanto de quatro pontos, a tarefa é fazer a questão 1. Quanto  aos que não fizeram a história , estes deverão fazer a atividade completa.

1-    A pós assistir ao filme responda as questões abaixo:
a)       Comente as passagens que tornam evidente que a Igreja passava por escândalos em que  os membros do clero não se comportavam  dentro do padrão moral defendido pela Igreja.

b)       Explique as razões pelas quais os príncipes alemães foram chamados de protestantes e culminando assim em se denominar todas as igrejas reformadas a partir de Lutero como protestantes?

c)       Leia o trecho acima e responda

“27ª Pregam a doutrina humana os que dizem que assim que a moeda tilintar na caixa, a alma voará para fora (do purgatório).

43ª Os Cristãos devem ser ensinados que aquele que dá ao pobre ou empresta ao necessitado faz uma melhor obra do que [faria] comprando indulgências.

82ª A saber: - "Por que o Papa não esvazia o purgatório, por causa do santo amor e da horrenda necessidade das almas que lá estão, se ele poderia redimir um número infinito de almas com o mui funesto dinheiro com o qual constrói uma Basílica? Não são as primeiras razões mais justas; e a última insignificante?"

Quais são as  críticas  contida no texto sobre  as práticas comuns da Igreja Católica da época?

d)       Segundo a doutrina luterana por que é permitida a abertura de tantas Igrejas protestantes ao contrário da Igreja Católica Apostólica Romana que até hoje permanece em unidade

2-    Cite e comente os   sinais que Deus deixa para que saibamos para qual destino fomos escolhidos e qual tipo de vida devemos ter para conseguirmos a salvação, segundo João Calvino.

3-    Explique os motivos pelos quais o Rei da Inglaterra, Henrique VIII, rompeu com a Igreja Católica

4-    Comente as vantagens econômicas que ocorreram para  Inglaterra a partir do rompimento entre Henrique VIII e o Papa


terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

OUTRA VISÃO SOBRE O TRABALHO


Na linguagem bíblica, a idéia de trabalho está relacionada à maldição divina, como castigo decorrente do pecado original, “Ganharás o teu pão com o suor do teu rosto” (Gênesis III, 19), também se relaciona com o pensamento de que aquele que não contribui com seu trabalho não tem direitos, uma vez que, “se alguém não quiser trabalhar não coma também.” (II Tessal, 3, 8-10). É por meio de um esforço doloroso que o homem sobrevive na natureza. Mesmo assim, o homem continua totalmente dependente de Deus, “pois sem ele todo esforço não dá nenhum resultado” (Sl. 127, 1). O trabalho

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

O QUE É TRABALHO?

Parece tarefa fácil definir o que significa o termo trabalho. Entretanto, quando nós iniciamos essa atividade, percebemos a complexidade do conceito, que pode ser visto sob vários prismas e adquirir significados diversos, desde o uso cotidiano, quando se fala “o trabalho da máquina escavadeira” ou “a mulher entrou em trabalho de parto,” até explicações filosóficas, que procuram entender as dimensões do trabalho para o homem e para a vida em sociedade.
A própria palavra trabalho não é algo que tenha uma definição clara. Em quase todas as línguas européias existem mais de uma definição, em grego tem uma denominação para esforço e outra para fabricação. Em latim existe a separação entre labore, a ação, e operare, que corresponde à obra. Em outras línguas existem pelo menos duas denominações ligadas à realização de um trabalho, por exemplo, em francês existe a diferença entre travaillere e ouvrer; trabajar e obrar em espanhol como no inglês labour e work.
Em nossa língua, a palavra trabalho originou-se do latim tripalium, que era um instrumento agrícola utilizado pelos romanos para bater o trigo, as espigas de milho ou o linho. Com o tempo, tripalium foi relacionado com instrumento de tortura, juntamente com o verbo Tripaliare, que significa torturar. Desta forma, em português, a palavra originou-se vinculada às idéias de padecimento, sofrimento, esforço, laborar e obrar.
Na Filosofia, o conceito de trabalho é visto como a expressão das forças espirituais ou corporais em atividade, tendo em vista um fim que deve ser alcançado. Mesmo que não se produza nada imediatamente visível (trabalho intelectual) como um resultado exteriormente perceptível, um produto ou uma mudança de estado (trabalho corporal), pode existir uma separação entre o trabalho intelectual e o braçal, e essas duas formas de trabalho encaixam-se nesta definição. Mas será que podemos separar trabalho intelectual e trabalho corporal? O pedreiro não utiliza inteligência e raciocínio para erguer uma parede de tijolos? O escritor não tem desgaste físico ao escrever um livro? Para pensadores, como Karl Marx (1818-1883), é por meio do trabalho que o homem modifica a natureza e o mundo para satisfazer as necessidades humanas (pessoais ou sociais) e assim transformar a natureza em objetos de cultura, ou seja, ao mesmo tempo em que a natureza é transformada, o mesmo ocorre com o homem. Saibamos que, para os filósofos que compartilham do pensamento de Marx, o que distingue o trabalho humano do dos animais é que naquele há consciência e intencionalidade, enquanto os animais trabalham por instinto, sem consciência. Outra característica do trabalho humano é que ele expressa a liberdade humana, visto que não podemos ser programáveis como um robô, podemos realizar as tarefas de formas variáveis e até nos realizarmos nelas.
Desta forma, na linguagem diária não parece haver diferenças quando utilizamos este termo ou conceito, é na linguagem científica que os significados tornam-se mais complexos.

Documento 1
Antes de tudo e um processo entre o homem e a Natureza, um processo em que o homem, por sua própria ação, media, regula e controla seu metabolismo com a Natureza. Ele mesmo se defronta com a matéria natural como uma forca natural. Ele põe em movimento as forcas naturais pertencentes a sua corporalidade, braços e  pernas, cabeça e mão, a fim de apropriar-se da matéria natural numa forma útil para sua própria vida. Ao atuar, por meio desse movimento, sobre a Natureza externa a ele, ao modificá-la, ele modifica, ao mesmo tempo, sua própria natureza. Ele desenvolve as potencias nela adormecidas e sujeita o jogo de suas forcas a seu próprio domínio.
Não se trata aqui das primeiras formas instintivas, animais, de trabalho.
O estado em que o trabalhador se apresenta no mercado como vendedor de sua própria força de trabalho deixou para o fundo dos tempos primitivos o estado em que o trabalho humano não se desfez ainda de sua primeira forma instintiva. Pressupomos o trabalho numa forma em que pertence exclusivamente ao homem. Uma aranha executa operações semelhantes as do tecelão, e a abelha envergonha mais de um  arquiteto humano com a construção dos favos de suas colméias. Mas, o que distingue, de antemão, o pior arquiteto da melhor abelha e que ele construiu o favo em sua cabeça, antes de construí-lo em cera. No fim do processo de trabalho obtém um resultado que já no inicio deste existiu na imaginação do trabalhador, e, portanto, idealmente. Ele não apenas efetua uma transformação da forma da matéria natural: realiza, ao mesmo tempo, na matéria natural seu objetivo, que ele sabe que  determina, como lei, a espécie e o modo de sua atividade e ao qual tem que subordinar sua vontade. E essa subordinação não e um acontecimento isolado. Além dos órgãos que trabalham, e exigida a vontade orientada a um fim, que se manifesta com atenção durante todo o tempo de trabalho, pelo próprio conteúdo e pela espécie e modo de sua execução, atrai o trabalhador, portanto, quanto menos ele aproveita,  como jogo de suas próprias forcas físicas e espirituais. (MARX, 1985 [1867], pp. 149-150).

ATIVIDADE
1. Comente os aspectos do pensamento de Marx, presentes no documento 1, que contribuem para entendermos melhor o que e o trabalho. Quais as características do trabalho humano que este pensador destaca?

domingo, 23 de outubro de 2011

RELAÇÕES DE TRABALHO


RELAÇÕES DE TRABALHO:

A construção do trabalho assalariado
Etimologicamente a palavra salário vem de sal. Na antiguidade, como não havia moeda como instrumento de valoração e troca, usava-se a pitada de sal como expressão de valor. Será que sempre existiu salário para o trabalho? Trabalho sempre esteve relacionado com salário? 

De artesãos independentes a tarefeiros assalariados
A partir dos séculos XII e XIII, com o progresso das cidades na Europa e o  uso do dinheiro, os artesãos tiveram a opção de abandonar a agricultura e viver de seu ofício. O sapateiro, o padeiro, o fabricante de móveis, etc.,  foram para as cidades européias, dedicando-se aos negócios, não mais para satisfazer somente às suas necessidades como faziam antes, mas sim para atender à procura e abastecer um mercado pequeno e em construção.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

SIMULADO IDADE MÉDIA


Questões do simulado Ensino Médio 1º ano
1- Dentre os vários impostos e obrigações impostas aos servos e vilões pela organização econômica e social do feudalismo, destacavam-se:
a) o peculato e as talhas;
b) as aposentadorias e o protecionismo;
c) as banalidades e as corvéias;

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

O MUNDO DO TRABALHO NA SOCIEDADE FEUDAL



Na Europa Ocidental, durante o feudalismo (séculos IX – XII), o setor predominante da economia era a produção agrícola. As classes governantes eram constituídas pelo clero e nobreza, que controlavam as terras, a produção e o poder político. A Igreja Católica detinha o monopólio espiritual, enquanto a nobreza encarregava-se da proteção militar. Mas quem realizava o trabalho na sociedade feudal para manter estas classes? Havia os artesãos que andavam de uma região para outra, produzindo o artesanato, em troca de casa, comida e algumas moedas, pois quase todo senhorio possuía sua produção de artesanato.
          Cerca de dois ou três dias por semana, exerciam seus serviços nas terras do senhor, sem serem pagos pelo trabalho, sendo uma obrigação feudal a corveia. Os camponeses

sábado, 21 de maio de 2011

O MUNDO DO TRABALHO NA SOCIEDADE ROMANA

Roma Antiga
Assim como na Grécia, em Roma a escravidão foi praticada por vários séculos. Na Península Itálica, no final do século III a.C., havia grandes massas de escravos, mas foi a partir do século I a.C. que generalizou- se a escravidão. A escravidão provinha principalmente dos prisioneiros de guerras, resultado das conquistas realizadas por Roma a partir de meados do século

quarta-feira, 13 de abril de 2011

A CIVILIZAÇÃO GREGA

MONITORAMENTO DE ESTUDO

1- Características geográficas. Escreva sobre as principais características geográficas da Grécia Antiga. Comente a frase: A fragmentação geográfica grega facilitou a fragmentação política.

2- Períodos históricos. Faça um esquema dos principais períodos da história grega e os principais fatos que os assinalaram.

3- Primeiros povos. Quais os primeiros

domingo, 10 de abril de 2011

O MUNDO DO TRABALHO NA SOCIEDADE GREGA

 Algumas das civilizações da antiguidade baseavam-se em sistemas escravistas, apesar da existência de outras formas de trabalho. Em cada sociedade essa relação de trabalho foi instituída visando a objetivos e a justificativas diferenciadas.

Grécia antiga
Para os gregos dos séculos VI a IV a.C., a condição de escravo estava ligada à concepção de política

segunda-feira, 14 de março de 2011

O mundo do trabalho nas sociedades Pré-colombianas

Outros exemplos de sociedades teocráticas ocorreram na América, entre as civilizações pré-colombianas. A religião possuía grande importância para essas organizações sociais, o que tornou possível a formação de uma poderosa classe sacerdotal. O governo foi constituindo-se em uma teocracia centralizada, sendo as civilizações: Asteca (México), Maia (América Central e México) e Inca (Peru), os exemplos mais significativos devido ao seu alto grau de organização social. Os grupos

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

EGITO ANTIGO

LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA


- O Egito está situado no Nordeste da África em meio a dois imensos desertos: o da Líbia e o da Arábia.

- O Egito Antigo possuía um território estreito e comprido que compreendia duas grandes regiões: o Alto Egito (região do vale) e o Baixo Egito região do Delta do Nilo).

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

O MUNDO DO TRABALHO EM DIFERENTES SOCIEDADES

Perguntas de um Operário Letrado
Quem construiu Tebas, a das sete portas?
Nos livros vem o nome dos reis,
Mas foram os reis que transportaram as pedras?
Babilônia, tantas vezes destruída,
Quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas
Da Lima Dourada moravam seus obreiros?
No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde
Foram os seus pedreiros? A grande Roma
Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem
Triunfaram os Césares?
Em cada página uma vitória.
Quem cozinhava os festins?
Em cada década um grande homem.
Quem pagava as despesas?
Tantas histórias
Quantas perguntas.
(Adaptado de BRECHT, 1976, p.66)

O poema de Bertold Brecht (1898-1956) faz questionamentos sobre os anônimos que construíram as diferentes sociedades. Você consegue identificar quais foram esses trabalhadores e a posição social que ocuparam nas sociedades em que viveram? Qual a relação entre o poema e o trabalho em diferentes sociedades: antiguidade, pré-colombianas e feudal?

O mundo do trabalho nas sociedades teocráticas

Egito antigo
No Egito, por volta do ano 3100 a.C., Menés, governante do Alto Egito, fez a unificação dos reinos: do Alto Egito (região ao sul, com extenso vale no rio Nilo) com o Baixo Egito (ao norte em torno do delta do Rio Nilo). Então, Menés tornou-se faraó do Egito. Foi no Egito antigo, localizado no nordeste do continente africano, que desenvolveu-se um tipo de sociedade teocrática. O Faraó era considerado monarca de origem divina e proprietário de todas as terras. A sociedade egípcia compunha-se de altos funcionários do governo, sacerdotes e governadores de províncias ou nomos (os nomarcas), que tinham como base do regime de produção a servidão coletiva dos camponeses.
O felá (camponês) constituía a maioria da população. Estes trabalhadores das aldeias cultivavam as terras e pagavam pelo seu uso em quantidades determinadas de cereal. Os camponeses também prestavam serviços ao Estado nas construções de canais de irrigação, diques, templos, palácios e túmulos. Recebiam por esse período de trabalho apenas alimentos.
Outros trabalhadores também possuíam uma vida difícil como a dos felás, eram eles: pedreiros, mineiros, escultores, marceneiros, etc. Os escravos no Egito resultavam das conquistas dos faraós na Núbia, na Líbia e na Síria, principalmente nos séculos XV e XIII a.C. Foram utilizados nos serviços domésticos e nas grandes obras públicas. A condição de escravo doméstico era mais suave do que a dos escravos utilizados nas grandes obras públicas, pelo rigor do trabalho exigido nestas últimas.
Será que existiam outros tipos de trabalhadores no Egito?

Texto 1
Além da mão-de-obra ocasional fornecida pelos camponeses na época da inundação, quando os trabalhos agrícolas se paralisavam, as obras públicas empregavam também trabalhadores permanentes, remunerados em espécie. A arqueologia revelou verdadeiras ‘cidades operárias’ (por exemplo, na necrópole de Tebas e em Tell el-Amarna). A escravidão teve certa importância econômica nas minas e pedreiras estatais e, no Reino Novo, também nas terras reais e dos templos. Houve igualmente tropas militares auxiliares constituídas de escravos, e existiam escravos domésticos, às vezes numerosos. A economia egípcia, no entanto, nunca foi ‘escravista’ no sentido em que o foi na Grécia clássica e helenística e a da Roma de fins de República e do Alto Império. (Adaptado de CARDOSO, 1982, p. 41)

Teocracia:
O termo Teocracia designa um ordenamento político pelo qual o poder é exercido em nome de uma autoridade divina por homens que se declaram seus representantes na Terra, quando não uma encarnação sua. Bem característica do sistema teocrático é a posição preeminente reconhecida à hierarquia sacerdotal, que direta ou indiretamente controla toda vida social em seus aspectos sacros e profanos. A Teocracia etimologicamente significa ‘Governo de Deus’.
(Adaptado de BOBBIO e outros, 1986, p.1237).

ATIVIDADE

Leia a definição de teocracia proposta pelo cientista político italiano Norberto Bobbio  (1909-2004) e o texto 1. Faça uma narrativa histórica destacando como eram as relações de trabalho no Egito Antigo.

domingo, 30 de janeiro de 2011

TRABALHO ESCRAVO E TRABALHO LIVRE

Tiro renda e boto renda
Faço renda na almofada
Por causa de meu benzinho
Não faço renda nem nada...
Estou fazendo esta renda
Pra buscá e ganhá dinheiro
Pra comprá um par de pente
Pra botá no meu cabelo
Esta almofada me mata
Estes bilros me consome
Os alfinetes me mata
A renda me tira a fome...

(“Bendito o trabalho que se faz cantando”. Cantos de trabalho das rendeiras de Guarapari recolhidos em agosto de 1952. In: NEVES, Guilherme Santos. Folclore, dez. 1980).

Quando os turistas passeiam pelo litoral do estado do Espírito Santo encontram belas rendas para serem compradas. No entanto, poucos deles levam em conta o esforço despendido pelas mulheres que produzem esse belíssimo artesanato. Sobre o que cantam as rendeiras de Guarapari?
Cotidianamente defrontamo-nos com duas realidades comuns: algumas pessoas que estão satisfeitas com as atividades que desempenham no trabalho, sentem-se realizadas, e recebem bem pelo que fazem, enquanto outras, insatisfeitas, em maior número, reclamam que o trabalho é cansativo e recebem baixos salários.
Historicamente, os seres humanos têm desenvolvido grandes civilizações através da organização social do trabalho. Cada sociedade organizou seu mundo do trabalho de forma diferente. Algumas pessoas realizavam as tarefas mais difíceis, enquanto outras sustentavam-se com muitos privilégios.
Sendo assim, podemos questionar: a organização do mundo do trabalho nas sociedades passadas apresentam semelhanças e diferenças com a nossa forma de trabalhar? Nas diferentes sociedades o trabalho era realizado por quais grupos? O trabalho é uma atividade cansativa e sem satisfação? É possível haver satisfação com o trabalho? Como ele é organizado socialmente?
O estudo sobre o mundo do trabalho relacionado as diferentes sociedades torna-se importante para entendermos melhor estas e outras questões. Para isso, é muito importante que se entenda o que é o trabalho e por quais mudanças ele passou ao logo das diferentes sociedades. O núcleo do nosso estudo refere-se às mudanças surgidas no mundo do trabalho com a substituição dos trabalhos servil e escravo pelas diferentes formas de trabalho assalariado. Portanto, quais os significados que o mundo do trabalho vem adquirindo no decorrer da história? Para as sociedades atuais qual a importância do trabalho? Muitos sujeitos históricos anônimos trabalharam na construção das sociedades em que viviam. Você consegue identificar quais foram esses trabalhadores e a posição social que ocuparam nas sociedades em que viveram? Será que sempre existiu salário para o trabalho? Trabalho sempre esteve relacionado com salário? Perante as leis do Brasil somos trabalhadores livres. Mas, para chegarmos a essa liberdade passamos por um processo de transição. Afinal o que foi essa transição do trabalho? Podemos ter a certeza de que ela foi de fato efetivada? Não importa sua escolha profissional ou sua classe social! Você já percebeu que um dos seus maiores desafios é a inserção no mundo do trabalho?

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

AMÉRICA - COLONIZAÇÂO EUROPEIA

1 - O SISTEMA COLONIAL.
- A colonização foi consequência da expansão marítima, e seu objetivo fundamental era atender aos interesses mercantilistas das metrópoles europeias.
- A conquista e exploração de colônias é um ponto essencial das ideias mercantilistas.
- As colônias favoreciam a acumulação de riqueza pela metrópole, de acordo com os interesses burgueses e do Estado metropolitano (Estado moderno).
- O pacto colonial era um elemento fundamental. Também conhecido como exclusivo comercial.
- Objetivava sempre uma balança de comércio favorável.

Colônias de Exploração.
- Localizadas em zonas tropicais.
- Latifúndio.
- Monocultura.
- Trabalho compulsivo.
- Produção para a exportação.
- Ausência de manufaturas.
- Submetidas ao pacto colonial.
Colônias de Povoamento.
- Colonização feita por pessoas que fugiam da metrópole em busca de um novo lar.
- Localizadas em zonas temperadas.
- Pequena propriedade.
- Policultura.
- Trabalho livre e servo de contrato.
- Produção para o mercado interno.
- Desenvolvimento de manufaturas.
- Livre-comércio.

2 - A COLONIZAÇÃO ESPANHOLA.


2.1 - A CONQUISTA (1ª metade do séc. XVI)

- Domínio dos espanhóis sobre os povos pré-colombianos.
- Fatores que contribuíram para a vitória dos espanhóis: superioridade militar; apoio dos povos dominados por Incas e Astecas; disputa pelo poder no Império Inca; novas doenças trazidas pelos espanhóis; a expansão da religião cristã (nesse caso católica); profecias indígenas que anunciavam a chegada de deuses (fator: mentalidade / cultural).
- Realizada por particulares.
- Distribuição de adelantados: direito de governo e exploração de territórios na América, concedido pelo governo espanhol aos conquistadores, que ficavam obrigados ao pagamento de impostos.
- Genocídio dos indígenas e diminuição da mão-de-obra, principalmente na América Central e Antilhas.

2.2 - A ECONOMIA COLONIAL.

- Principal atividade econômica: mineração.
- Atividades complementares: agricultura e pecuária, realizadas em haciendas, voltadas para o mercado interno.
- Mita: trabalho compulsório, temporário e “remunerado”, indígena na mineração.
- Encomienda: trabalho compulsório e temporário na agricultura.
- Antilhas: agricultura de plantation, mão-de-obra escrava de negros africanos.
- Asiento: direito concedido pelo governo espanhol aos comerciantes portugueses para venderem, com exclusividade, escravos africanos na América espanhola.
- Comércio colonial: feito através do sistema de comboios, realizado duas vezes ao ano – e do sistema de portos únicos - os navios que faziam comércio entre a América e a Espanha só podiam atracar nos seguintes portos: Vera Cruz (México), Havana (Cuba), Porto Belo (Panamá) e Cartagena (Colômbia), na América; Sevilha e, depois, Cádiz, na Espanha.

2.3 - A SOCIEDAE COLONIAL

- Chapetones: brancos nascidos na Espanha que vinham para a América e ocupavam os principais cargos administrativos, militares e religiosos.
- Criollos: brancos nascidos na América, eram mineradores, fazendeiros ou comerciantes, mas não tinham acesso aos principais cargos.
- Mestiços: resultado da miscigenação racial eram, em geral, capatazes, artesãos ou pequenos comerciantes.
- Indígenas: maioria da população eram explorados pelos espanhóis através da mita e da encomienda, mas não eram escravos.
- Negros: escravos, localizados, principalmente, nas Antilhas, não possuíam nenhum direito.

2.4 - A ADMINISTRAÇÃO COLONIAL.

2.4.1 - CARACTERÍSTICAS.
- Centralização do poder.
- Montagem de uma grande máquina administrativa.
- Fundação de muitas cidades.
- Importante participação da Igreja Católica – forneceu a justificativa: “salvacionista”.

2.4.2 - PRINCIPAIS ÓRGÃOS.

- CONSELHO DAS ÍNDIAS ou CONSELHO REAL (subordinado à Casa de Madri – Aragão): responsável pela administração colonial.
- CASA DE CONTRATAÇÃO (subordinado à Casa de Sevilha – Castela): controlava o comércio colonial.
- A administração colonial: VICE-REINADOS e CAPITANIAS GERAIS.
-
Os vice-reinados existentes eram: Nova Espanha ( México e parte do território atualmente pertencente aos Estados Unidos), Nova Granada ( Colômbia e Equador), Peru e Prata ( Argentina, Uruguai, Bolívia e Paraguai).
- As capitanias gerais eram: Flórida, Cuba, Guatemala, Venezuela e Chile.
- Os cargos de vice-rei e capitão-geral eram exercidos por representantes da Coroa vindos diretamente da Espanha.
- Desta forma, o aparelho político-administrativo colonial era dominado e monopolizado por espanhóis natos.
- As Capitanias Gerais eram localizadas em regiões onde os espanhóis não haviam consolidado seu domínio ou em regiões estratégicas para o controle das rotas comerciais.
- AUDIÊNCIAS:
tribunais que, além das funções judiciárias tinham funções administrativas e fiscalizavam os vice-reis.
- CABILDOS (ajuntamientos): câmaras municipais formadas pelas elites; eram o menor órgão da administração colonial, representavam o poder local e eram o único órgão administrativo ao qual os Criollos tinham acesso.

3- A COLONIZAÇÃO INGLESA.

- Colônias de exploração: localizadas no Canadá, na costa leste dos EUA, em algumas ilhas das Antilhas e na Guiana Inglesa; plantation; trabalho escravo africano; agricultura de cana-de-açúcar, fumo, anil e algodão.
- Colônias de povoamento: localizadas na Nova Inglaterra; pequenas propriedades rurais, policultoras, trabalho familiar, produção de subsistência e mercado local; colonizadas por ingleses fugidos das perseguições políticas e religiosas (calvinistas, presbiterianos) no século XVII.

4- COLONIZAÇÃO FRANCESA.

- Colônias de exploração: localizadas em ilhas do Caribe, na Guiana Francesa e na faixa central da América do Norte, que ia de Quebec até Lousiana; plantation; trabalho escravo; agricultura de cana-de-açúcar, algodão, anil e fumo; extração de couro (América do Norte).
- Tentativas (fracassadas) de anexação de territórios na América do Sul (“invasões francesas” no Brasil).

5- COLONIZAÇÃO HOLANDESA (FLAMENGOS, PROVÍNCIAS UNIDAS, OU PAÍSES BAIXOS).

- Iniciada no século XVII, a partir do domínio espanhol à coroa portuguesa.
- Tentativas fracassadas na América Portuguesa (recuperar comércio e interesses perdidos).
- Depois conquistaram ilhas nas Antilhas e a Guiana Holandesa.
- Colônias de exploração (plantation).

FONTE: Napoleão Gonçalves Filho. FOLHA DIRIGIDA, Caderno do Vestibular, abr. 2001.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

COLONIALISMO E IMPERIALISMO NA ÁSIA E NA ÁFRICA

MONITORAMENTO DE ESTUDO

1- Ideologia. Em termos de ideologia, que diferenças existiram entre as duas fases da expansão colonial-imperialista?

2- Justificativa. Que argumentos foram utilizados pelos críticos da expansão colonial-imperialista para justificar suas ações?

3- Recursos. Quanto aos recursos quais foram aqueles usados pelos ingleses para conquistar a Índia?

4- Guerra do ópio. Analise as consequências das guerras do ópio para o Império Chinês.

5- Independência do Japão. De que forma as mudanças ocorridas durante a Era Meiji podem ser relacionadas com a independência do Japão?

6- Partilha da África. Quais as principais razões do processo de partilha da África? E quais foram suas consequências a curto e longo prazo?

7- Revolução industrial: Que semelhanças e diferenças podem ser apontadas entre o processo de industrialização ocorrido na segunda metade do século XVIII e aquele verificado no final do século XIX?

8- Justificativa da dominação: A chamada “missão civilizadora”, que justificava ideologicamente o neocolonialismo, desapareceu plenamente? Apresente argumentos para justificar sua resposta.

9- Relação nacionalismo e capitalismo: Considerando o nacionalismo do século XIX, de que maneira a política nacionalista e alguns países representou um empecilho à produção capitalista na segunda metade do século XIX?

10- Contestação: Explique a afirmação: “nenhuma potência colonial exerceu sua dominação sem sofre contestação”, apresentando dados históricos que possam subsidiar tal afirmação.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL


MONITORAMENTO DE ESTUDO

1- Avanços técnicos. Quanto às mudanças que se processaram devido à industrialização:

  1. Explique, em linhas gerais, as grandes alterações na vida econômica impulsionada pela Revolução Industrial.
  2. Compare a produtividade da Idade Moderna com o crescimento da produtividade na Revolução Industrial.
  3. Como se dava a produção artesanal na final da Idade Média?
  4. Explique por que nas manufaturas há um avanço nos métodos de produção.
  5. Explique o papel do capitalista e do trabalhador na fase de predomínio das manufaturas.
  6. O que caracteriza a maquinofatura?

2- A industrialização inglesa. Resuma a primeira etapa da revolução Industrial que, praticamente, se restringiu à Inglaterra.

3- A expansão industrial. Caracterize a expansão da Revolução Industrial pela Europa e outros continentes.

4- Pioneirismo inglês. Responda:

  1. Como a Inglaterra acumulou os capitais que, cada vez mais, foram investidos no desenvolvimento da produção industrial?
  2. Em que medida as alterações na zona rural favoreceram a industrialização da Inglaterra?
  3. Qual a relação entre o crescimento populacional e o sucesso da industrialização?

5- Condição de trabalho. Exponha a situação do trabalhador nas primeiras fábricas.

6- Consequências: Analise as consequências da Revolução Industrial, tendo como referências os seguintes itens:

  1. a alienação;
  2. a produção em série;
  3. a urbanização;
  4. o transporte e a comunicação.

7- Liberalismo econômico. Dos formuladores da ideologia burguesa:

  1. Quais as principais ideias de Adam Smith?
  2. Qual era o perigo apontado por Malthus?
  3. Como David Ricardo justificava os baixos salários que favoreciam os capitalistas?

8- Socialismo utópico. Explique como os teóricos do socialismo utópico buscavam alternativas para superar as injustiças da sociedade industrial:

  1. Saint-Simon;
  2. Charles Fourier;
  3. Pierre Proudhon;
  4. Robert Owen.

9- Socialismo científico. Resuma as principais ideias do marxismo: dialética, modo de produção, luta de classes e mais-valia.

10- Pensamento social-cristão. Contraponha as soluções do pensamento social-cristão com a visão marxista da luta de classes.

11- Rerum Novarum. Como se posicionou a Igreja frente à realidade estabelecida com o capitalismo industrial e as questões sociais que dele decorreram?

quinta-feira, 13 de maio de 2010

PAI CONTRA MÃE


Machado de Assis


A ESCRAVIDÃO levou consigo ofícios e aparelhos, como terá sucedido a outras Instituições sociais. Não cito alguns aparelhos senão por se ligarem a certo ofício. Um deles era o ferro ao pescoço, outro o ferro ao pé; havia também a máscara de folha-d e- flandres. A máscara fazia perder o vício da embriaguez aos escravos, por lhes tapar a boca. Tinha só três buracos, dous para ver, um para respirar, e era fechada atrás da cabeça por um cadeado. Com o vício de beber. perdiam a tentação de furtar, porque geralmente era dos vinténs do senhor que eles tiravam com que matar a sede, e aí ficavam dous pecados extintos, e a sobriedade e a honestidade certas. Era grotesca tal máscara, mas a ordem social e humana nem sempre se alcança sem o grotesco, e alguma
vez o cruel. Os funileiros as tinham penduradas, à venda, na porta das lojas. Mas cuidemos de máscaras.
O ferro ao pescoço era aplicado aos escravos fujões. Imaginai uma coleira grossa, com a haste grossa também à direita ou à esquerda, até ao alto da cabeça e fechada atrás com chave. Pesava, naturalmente, mas era menos castigo que sinal. Escravo que fugia assim, onde quer que andasse, mostrava um reincidente, e com pouco era pegado.
Há meio século, os escravos fugiam com freqüência. Eram muitos, e nem todos gostavam da escravidão. Sucedia ocasionalmente apanharem pancada, e nem todos gostavam de apanhar pancada. Grande parte era apenas repreendida; havia alguém de casa que servia de padrinho, e o mesmo dono não era mau; além disso, o sentimento da propriedade moderava a ação, porque dinheiro também dói. A fuga repetia-se, entretanto. Casos houve, ainda que raros, em que o escravo de contrabando , apenas comprado no Valongo, deitava a correr, sem conh ecer as ruas d a cidade. Dos que seguiam para casa, não raro, apen as ladinos, pediam ao senhor que lhes marcasse aluguel, e iam ganhá-lo fora, quitandando.
Quem perdia um escravo por fuga dava algum dinheiro a quem lho levasse. Punha anúncios nas folhas públicas, com os sinais do fugido, o nome, a roupa, o defeito físico, se o tinha, o bairro por onde andava e a quantia de gratificação. Quando não vinha a quantia, vinha promessa: "gratificar -se- á generosamente", -- ou "receberá uma boa gratificação". Muita vez o anúncio trazia em cima ou ao lado uma vinheta, figura de preto, descalço, correndo, vara ao ombro, e na pon ta uma trouxa. Protestava-se com todo o rigor da lei contra quem o acoutasse.
Ora, pegar escravos fugidios era um ofício do tempo. Não seria nobre, mas por ser instrumento da força com que se mantêm a lei e a propried ade, trazia esta outra nobreza
implícita das ações reivindicadoras. Ninguém se metia em tal ofício por desfastio ou estudo; a pobreza, a necessidade de uma achega, a inaptidão para outros trabalhos, o acaso, e alguma vez o gosto de servir também, ainda que por outra via, davam o impulso ao homem que se sentia bastante rijo para pôr ordem à desordem.
Cândido Neves, -- em família, Candinho,-- é a pessoa a quem se liga a história de uma fuga, cedeu à pobreza, quando adquiriu o ofício de pegar escravos fugidos. Tinha um defeito grave esse homem, não agüentava emprego nem ofício, carecia de estabilidade; é o que ele chamava caiporismo. Começou por querer aprender tipografia, mas viu cedo que era preciso algum tempo para compor bem, e ainda assim talvez não ganhasse o bastante; foi o que ele disse a si mesmo. O comércio chamou-lhe a atenção, era carreira
boa. Com algum esforço entrou de caixeiro para um armarinho. A obrigação, porém, de
atender e servir a todos feria-o na corda do orgulho, e ao cabo de cinco ou seis semanas estava na rua por sua vontade. Fiel de cartório, contínuo de uma repartição anexa ao Ministério do Império, carteiro e outros empregos foram deixados pouco depois de obtidos.
Quando veio a paixão da moça Clara, não tinha ele mais que dívidas, ainda que poucas, porque morava com um primo, entalhador de ofício. Depois de várias tentativas para obter emprego, resolveu adotar o ofício do primo, de que aliás já tomara algumas lições.
Não lhe custou apanhar outras, mas, querendo aprender depressa, aprendeu mal. Não fazia obras finas nem complicadas, apenas garras para sofás e relevos comuns para cadeiras. Queria ter em que trabalhar quando casasse, e o casamento não se demorou muito.
Contava trinta anos. Clara vinte e dous. Ela era órfã, morava com uma tia, Mônica, e cosia com ela. Não cosia tanto que não namorasse o seu pouco, mas os namorados apenas queriam matar o tempo; Não tinham outro empenho. Passavam às tardes, olhavam muito para ela, ela para eles, até que a noite a fazia recolher para a costura. O que ela notava é que nenhum deles lhe deixava saudades nem lhe acendia desejos.
Talvez nem soubesse o nome de muitos. Queria casar, naturalmente. Era, como lhe dizia a tia, um pescar de caniço, a ver se o peixe pegava, mas o peixe passava de longe; algum que parasse, era só para andar à roda da isca, mirá-la, cheirá-la, deixá-la e ir a outras.
O amor traz sobrescritos. Quando a moça viu Cândido Neves, sentiu que era este o possível marido, o marido verdadeiro e único. O encontro deu-se em um baile; tal foi-- para lembrar o primeiro ofício do namorado, -- tal foi a página inicial daquele livro, que tinha de sair mal composto e pior brochado. O casamento fez-se onze meses depois, e foi a mais bela festa das relações dos noivos. Amigas de Clara, menos por amizade que por inveja, tentaram arredá-la do passo que ia dar. Não negavam a gentileza do noivo, nem o amor que lhe tinha, nem ainda algumas virtudes; diziam que era dado em demasia a patuscadas.
--Pois ainda bem, replicava a noiva; ao menos, não caso com defunto. --Não, defunto não; mas é que...
Não diziam o que era. Tia Mônica, depois do casamento, na casa pobre onde eles se foram abrigar, falou-lhes uma vez nos filhos possíveis. Eles queriam um, um só, embora viesse agravar a necessidade.
--Vocês, se tiverem um filho, morrem de fome, disse a tia à sobrinha.
--Nossa Senhora nos dará de comer, acudiu Clara. Tia Mônica devia ter-lhes feito a advertência, ou ameaça, quando ele lhe foi pedir a mão da moça; mas também ela era amiga de patuscadas, e o casamento seria uma festa, como foi.
A alegria era comum aos três. O casal ria a propósito de tudo. Os mesmos nomes eram objeto de trocados, Clara, Neves, Cândido; não davam que comer, mas davam que rir, e o riso digeria-se sem esforço.
Ela cosia agora mais, ele saía a empreitadas de uma cousa e outra; não tinha emprego certo.
Nem por isso abriam mão do filho. O filho é que, não sabendo daquele desejo específico, deixava-se estar escondido na eternidade. Um dia. porém, deu sinal de si a criança; varão ou fêmea, era o fruto abençoado que viria trazer ao casal a suspirada ventura. Tia Mônica ficou desorientada, Cândido e Clara riram dos seus sustos.
--Deus nos há de ajudar, titia, insistia a futura mãe.
A notícia correu de vizinha a vizinha. Não houve mais que espreitar a aurora do dia grande. A esposa trabalhava agora com mais vontade, e assim era preciso, uma vez que, além das costuras pagas, tinha de ir fazendo com retalhos o enxoval da criança. À força de pensar nela, vivia já com ela, media-lhe fraldas, cosia-lhe camisas. A porção era escassa, os intervalos longos. Tia Mônica ajudava, é certo, ainda que de má vontade.
--Vocês verão a triste vida, suspirava ela. --Mas as outras crianças não nascem também? Perguntou Clara. --Nascem, e acham sempre alguma cousa certa qu e comer, ainda que pouco... --Certa como? --Certa, um emprego, um ofício, uma ocupação, mas em que é que o pai dessa infeliz criatura que aí vem gasta o tempo?
Cândido Neves, logo que soube daquela advertência, foi ter com a tia, não áspero mas muito menos manso que de costume, e lhe perguntou se já algum dia deixara de comer.
--A senhora ainda não jejuou senão pela semana santa, e isso mesmo quando não quer jantar comigo. Nunca deixamos de ter o nosso bacalhau... --Bem sei, mas somos três. -- Seremos quatro. --Não é a mesma cousa. -- Que quer então que eu faça, além do que faço? -- Alguma cousa mais certa. Veja o marceneiro da esquina, o homem do armarinho, o tipógrafo que casou sábado, todos têm um emprego certo... Não fique zangado; não digo que você seja vadio, mas a ocupação que escolheu é vaga. Você passa semanas sem vintém. -- Sim, mas lá vem uma noite que compensa tudo, até de sobra. Deus não me abandona, e preto fugido sabe que comigo não brinca; quase nenhum resiste, muitos entregam-se logo.
Tinha glória nisto, falava da esperança como de capital seguro. Daí a pouco ria, e fazia rir à tia, que era naturalmente alegre, e previa uma patuscada no batizado.
Cândido Neves perdera já o ofício de entalhador, como abrira mão de outros muitos, melhores ou piores. Pegar escravos fugidos trouxe-lhe um encanto novo. Não obrigava a estar longas horas sentado. Só exigia força, olho vivo, paciência, coragem e um pedaço de corda. Cândido Neves lia os anúncios, copiava-os, metia-os no bolso e saía às pesquisas. Tinha boa memória. Fixados os sinais e os costumes de um escravo fugido, gastava pouco tempo em achá-lo, segurá-lo, amarrá-lo e levá-lo. A força era muita, a agilidade também. Mais de uma vez, a uma esquina, conversando de cousas remotas, via passar um escravo como os outros, e descobria logo que ia fugido, quem era, o nome, o dono, a casa deste e a gratificação; interrompia a conversa e ia atrás do vicioso.
Não o apanhava logo, espreitava lugar azado, e de um salto tinha a gratificação nas mãos. Nem sempre saía sem sangue, as unhas e os dentes do outro trabalhavam, mas geralmente ele os vencia sem o menor arranhão.
Um dia os lucros entraram a escassear. Os escravos fugidos não vinham já, como dantes, meter-se nas mãos de Cândido Neves. Havia mãos novas e hábeis. Como o negócio crescesse, mais de um desempregado pegou em si e numa corda, foi aos jornais, copiou anúncios e deitou-se à caçada. No próprio bairro havia mais de um competidor.
Quer dizer que as dívidas de Cândido Neves começaram de subir, sem aqueles pagamentos prontos ou quase prontos dos primeiros tempos. A vida fez-se difícil e dura.
Comia-se fiado e mal; comia-se tarde. O senhorio mandava pelo aluguéis.
Clara não tinha sequer tempo de remendar a roupa ao marido, tanta era a necessidade de coser para fora. Tia Mônica ajudava a sobrinha, naturalmente. Quando ele chegava à tarde, via-se-lhe pela cara que não trazia vintém. Jantava e saía outra vez, à cata de algum fugido. Já lhe sucedia, ainda que raro, enganar-se d e pessoa, e pegar em escravo fiel que ia a serviço de seu senhor; tal era a cegueira da necessidade. Certa vez capturou um preto livre; desfez-se em desculpas, mas recebeu grande soma de murros que lhe deram os parentes do homem.
--É o que lhe faltava! exclamou a tia Mônica, ao vê-lo entrar, e depois de ouvir narrar o equívoco e suas conseqüências. Deixe-se disso, Candinho; procure outra vida, outro emprego.
Cândido quisera efetivamente fazer outra cousa, não pela razão do conselho, mas por simples gosto de trocar de ofício; seria um modo de mudar de pele ou de pessoa. O pior é que não achava à mão negócio que aprendesse depressa.
A natureza ia andando, o feto crescia, até fazer-se pesado à mãe, antes de nascer.
Chegou o oitavo mês, mês de angústias e necessidades, menos ainda que o nono, cuja narração dispenso também. Melhor é dizer somente os seus efeitos. Não podiam ser mais amargos.
--Não, tia Mônica! bradou Candinho, recusando um conselho que me custa escrever, quanto mais ao pai ouvi-lo. Isso nunca!
Foi na última semana do derradeiro mês que a tia Mônica deu ao casal o conselho de levar a criança que nascesse à Roda dos enjeitados. Em verdade, não podia haver palavra mais dura de tolerar a dous jovens pais que espreitavam a criança, para beijá-la, guardá-la, vê-la rir, crescer, engordar, pular... Enjeitar quê? enjeitar como? Candinho arregalou os olhos para a tia, e acabou dando um murro na mesa de jantar. A mesa, que era velha e desconjuntada, esteve quase a se desfazer inteiramente. Clara interveio. -- Titia não fala por mal, Candinho. --Por mal? replicou tia Mônica. Por mal ou por bem, seja o que for, digo que é o melhor que vocês podem fazer. Vocês devem tudo; a carne e o feijão vão faltando. Se não aparecer algum dinheiro, como é que a família há de aumentar? E depois, há tempo; mais tarde, quando o senhor tiver a vida mais segura, os filhos que vierem serão recebidos com o mesmo cuidado que este ou maior . Este será bem criado, sem lhe faltar nada. Pois então a Roda é alguma praia ou monturo? Lá não se mata ninguém, ninguém morre à toa, enquanto que aqui é certo morrer, se viver à míngua. Enfim...
Tia Mônica terminou a frase com um gesto de ombros, deu as costas e foi meter-se na alcova. Tinha já insinuado aquela solução, mas era a primeira vez que o fazia com tal franqueza e calor,-- crueldade, se preferes. Clara estendeu a mão ao marido, como a amparar-lhe o ânimo; Cândido Neves fez uma careta, e chamou maluca à tia, em voz baixa. A ternura dos dous foi interrompida por alguém que batia à porta da rua.
--Quem é? perguntou o marido. --Sou eu.
Era o dono da casa, credor de três meses de aluguel, que vinha em pessoa ameaçar o inquilino. Este quis que ele entrasse.
--Não é preciso... --Faça favor.
O credor entrou e recusou sentar-se, deitou os olhos à mobília para ver se daria algo à penhora; achou que pouco. Vinha receber os aluguéis vencidos, não podia esperar mais; se dentro de cinco dias não fosse pago, pô-lo-ia na rua. Não havia trabalhado para regalo dos outros. Ao vê-lo, ninguém diria que era proprietário; mas a palavra supria o que faltava ao gesto, e o pobre Cândido Neves preferiu calar a retorquir. Fez uma inclinação de promessa e súplica ao mesmo tempo. O dono da casa não cedeu mais.
--Cinco dias ou rua! repetiu, metendo a mão no ferrolho da porta e saindo.
Candinho saiu por outro lado. Nesses lances não chegava nunca ao desespero, contava com algum empréstimo, não sabia como nem onde, mas contava. Demais, recorreu aos anúncios. Achou vários, alguns já velhos, mas em vão os buscava desde muito. Gastou algumas horas sem proveito, e tornou para casa. Ao fim de quatro dias, não achou recursos; lançou mão de empenhos, foi a pessoas amigas do proprietário, não alcançando mais que a ordem de mudança.
A situação era aguda. Não achavam casa, n em contavam com pessoa que lhes emprestasse alguma; era ir para a rua. Não contavam com a tia. Tia Mônica teve arte de alcançar aposento para os três em casa de uma senhora velha e rica, que lhe prometeu emprestar os quartos baixos da casa, ao fundo da cocheira, para os lados de um pátio.
Teve ainda a arte maior de não dizer nada aos dous, para que Cândido Neves, no desespero da crise começasse por enjeitar o filho e acabasse alcançando algum meio seguro e regular de obter dinheiro; emendar a vida, em suma. Ouvia as queixas de Clara, sem as repetir, é certo, mas sem as consolar. No dia em que fossem obrigados a deixar a casa, fá-los-ia espantar com a notícia do obséquio e iriam dormir melhor do que cuidassem.
Assim sucedeu. Postos fora da casa, passaram ao aposento de favor, e dous dias depois nasceu a criança. A alegria do pai foi enorme, e a tristeza também. Tia Mônica insistiu em dar a criança à Roda. "Se você não a quer levar, deixe isso comigo; eu vou à Rua dos Barbonos." Cândido Neves pediu que não, que esperasse, que ele mesmo a levaria.
Notai que era um menino, e que ambos os pais desejavam justamente este sexo. Mal lhe deram algum leite; mas, como chovesse à noite, assentou o pai levá-lo à Roda na noite seguinte.
Naquela reviu todas as suas notas de escravos fugidos . As gratificações pela maior parte eram promessas; algumas traziam a soma escrita e escassa. Uma, porém, subia a cem mil-réis. Tratava-se de uma mulata; vinham indicações de gesto e de vestido.
Cândido Neves andara a pesquisá-la sem melhor fortuna, e abrira mão do negócio; imaginou que algum amante da escrava a houvesse recolhido. Agora, porém, a vista nova da quantia e a necessidade dela animaram Cândido Neves a fazer um grande esforço derradeiro. Saiu de manhã a ver e indagar pela Rua e Largo da Carioca, Rua do Parto e da Ajuda, onde ela parecia andar, segundo o anúncio. Não a achou; apenas um farmacêutico da Rua da Ajuda se lembrava de ter vendido uma onça de qualquer droga, três dias antes, à pessoa que tinha os sinais indicados. Cândido Neves parecia falar como dono da escrava, e agradeceu cortesmente a notícia. Não foi mais feliz com outros fugidos de gratificação incerta ou barata.
Voltou para a triste casa que lhe haviam emprestado. Tia Mônica arranjara de si mesma a dieta para a recente mãe, e tinha já o menino para ser levado à Roda. O pai, não obstante o acordo feito, mal pôde esconder a dor do espetáculo. Não quis comer o que tia Mônica lhe guardara; não tinha fome, disse, e era verdade. Cogitou mil modos de ficar com o filho; nenhum prestava. Não podia esquecer o próprio albergue em que vivia. Consultou a mulher, que se mostrou resignada. Tia Mônica pintara-lhe a criação do menino; seria maior a miséria, podendo suceder que o filho achasse a morte sem recurso. Cândido Neves foi obrigado a cumprir a promessa; pediu à mulher que desse ao filho o resto do leite que ele beberia da mãe. Assim se fez; o pequeno adormeceu, o pai pegou dele, e saiu na direção da Rua dos Barbonos.

Que pensasse mais de uma vez em voltar para casa com ele, é certo; não menos certo é que o agasalhava muito, que o beijava, que cobria o rosto para preservá-lo do sereno. Ao entrar na Rua da Guarda Velha, Cândido Neves começou a afrouxar o p asso. --Hei de entregá-lo o mais tarde que puder, murmurou ele. Mas não sendo a rua infinita ou sequer longa, viria a acabá-la; foi então que lhe ocorreu entrar por um dos becos que ligavam aquela à Rua da Ajuda. Chegou ao fim do beco e, indo a dobrar à direita, na direção do Largo da Ajuda, viu do lado oposto um vulto de mulher; era a mulata fugida.

Não dou aqui a comoção de Cândido Neves por não podê-lo fazer com a intensidade real. Um adjetivo basta; digamos enorme. Descendo a mulher, desceu ele também; a poucos passos estava a farmácia onde obtivera a informação, que referi acima. Entrou, achou o farmacêutico, pediu-lhe a fineza de guardar a criança por um instante; viria buscá-la sem falta.
--Mas...
Cândido Neves não lhe deu tempo de dizer nada; saiu rápido, atravessou a rua, até ao ponto em que pudesse pegar a mulher sem dar alarma. No extremo da rua, quando ela ia a descer a de S. José, Cândido Neves aproximou-se dela. Era a mesma, era a mulata fujona. --Arminda! bradou, conforme a nomeava o anúncio.
Arminda voltou-se sem cuidar malícia. Foi só quando ele, tendo tirado o pedaço de corda da algibeira, pegou dos braços da escrava, que ela compreendeu e quis fugir. Era já impossível. Cândido Neves, com as mãos robustas, atava-lhe os pulsos e dizia que andasse. A escrava quis gritar, parece que chegou a soltar alguma voz mais alta que de costume, mas entendeu logo que ninguém viria libertá-la, ao contrário. Pediu então quea soltasse pelo amor de Deus.
--Estou grávida, meu senhor! exclamou. Se Vossa Senhoria tem algum filho, peço-lhe por amor dele que me solte; eu serei tua escrava, vou servi-lo pelo tempo que quiser. Me solte, meu senhor moço! -- Siga! repetiu Cândido Neves. --Me solte! --Não quero demoras; siga!
Houve aqui luta, porque a escrava, gemendo, arrastava-se a si e ao filho. Quem passava ou estava à porta de uma loja, compreendia o que era e naturalmente não acudia.
Arminda ia alegando que o senhor era muito mau, e provavelmente a castigaria com açoutes,--cousa que, no estado em que ela estava, seria pior de sentir. Com certeza, ele lhe mandaria dar açoutes.
--Você é que tem culpa. Quem lhe manda fazer filhos e fugir depois? perguntou Cândido Neves.
Não estava em maré de riso, por causa do filho que lá ficara n a farmácia, à espera dele. Também é certo que não costumava dizer grandes cousas. Foi arrastando a escrava pela Rua dos Ourives, em direção à da Alfândega, onde residia o senhor. Na esquina desta a luta cresceu; a escrava pôs os pés à parede, recuou com grande esforço, inutilmente. O que alcançou foi, apesar de ser a casa próxima, gastar mais tempo em lá chegar do que devera. Chegou, enfim, arrastada, desesperada, arquejando. Ainda ali ajoelhou-se, mas em vão. O senhor estava em casa, acudiu ao chamado e ao rumor.
--Aqui está a fujona, disse Cândido Neves. -- É ela mesma. --Meu senhor! --Anda, entra...
Arminda caiu no corredor. Ali mesmo o senhor da escrava abriu a carteira e tirou os cem mil-réis de gratificação. Cândido Neves guardou as duas notas de cinqüenta mil-réis, enquanto o senhor novamente dizia à escrava que entrasse. No chão, onde jazia, levada do medo e da dor, e após algum tempo de luta a escrava abortou.
O fruto de algum tempo entrou sem vida neste mundo, entre os gemidos da mãe e os gestos de desespero do dono. Cândido Neves viu todo esse espetáculo. Não sabia que horas eram. Quaisquer que fossem, urgia correr à Rua da Ajuda, e foi o que ele fez sem querer conhecer as conseqüências do desastre.
Quando lá chegou, viu o farmacêutico sozinho, sem o filho que lhe entregara. Quis esganá-lo. Felizmente, o farmacêutico explicou tudo a tempo; o menino estava lá dentro com a família, e ambos entraram. O pai recebeu o filho com a mesma fúria com que pegara a escrava fujona de há pouco, fúria diversa, naturalmente, fúria de amor.
Agradeceu depressa e mal, e saiu às carreiras, não para a Roda dos enjeitados, mas para a casa de empréstimo com o filho e os cem mil-réis de gratificação. Tia Mônica, ouvida a explicação, perdoou a volta do pequeno, uma vez que trazia os cem mil-réis. Disse, é verdade, algumas palavras duras contra a escrava, por causa do aborto, além da fuga.
Cândido Neves, beijando o filho, entre lágrimas, verdadeiras, abençoava a fuga e não se
lhe dava do aborto.
--Nem todas as crianças vingam, bateu-lhe o coração.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

HISTÓRIA DA ESCRAVIDÃO NO BRASIL

Escravidão

Índios X Africanos

- Inadaptação do índio ao trabalho de Engenho;

- Barreira Cultural;

- Doenças trazidas pelos europeus;


- A Igreja não aceitava a escravidão do índio;


- Os africanos eram “culturalmente” mais próximos dos europeus.


“Os africanos sem dúvida não eram mais ‘predispostos’ ao cativeiro do que os índios, portugueses, ingleses, ou qualquer outro povo arrancado de sua terra natal e submetido à vontade alheia, mas as semelhanças de sua herança cultural com as tradições européias valorizavam-nos aos olhos dos europeus”

(Stuart Schwartz)

O Tráfico Negreiro

- Enriquecia a burguesia da metrópole e gerava tributos para o Rei;

- Os traficantes capturavam os negros nas colônias portuguesas na África e depois vendiam-nos para diversos interessados

- Do Banto: “Povoação”

uNúcleos habitacionais e comerciais, além de local de resistência à escravidão

O Quilombo dos Palmares

- Criado no final de 1590 a partir de um pequeno refúgio de escravos localizado na Serra da Barriga, em Alagoas, Palmares se fortificou, chegando a reunir quase 30 mil pessoas. Transformou-se num estado autônomo, resistiu aos ataques holandeses, luso-brasileiros e bandeirantes paulistas, e foi totalmente destruído em 1716.