domingo, 10 de abril de 2011

O MUNDO DO TRABALHO NA SOCIEDADE GREGA

 Algumas das civilizações da antiguidade baseavam-se em sistemas escravistas, apesar da existência de outras formas de trabalho. Em cada sociedade essa relação de trabalho foi instituída visando a objetivos e a justificativas diferenciadas.

Grécia antiga
Para os gregos dos séculos VI a IV a.C., a condição de escravo estava ligada à concepção de política que a sua sociedade desenvolveu, principalmente em Atenas. Na Grécia, o cidadão, para participar ativamente das discussões dos problemas da pólis (cidades-estado), bem como se dedicar à elaboração de leis e aos cargos públicos, necessitava do ócio - tempo livre - para exercer essas funções. Leia o texto do filósofo Will Durant (1885-1981) e analise a visão dele em relação ao trabalho.

Texto 1
Aristóteles o olhava com desprezo do alto da filosofia, como próprio de homens sem inteligência, como indicado apenas para escravos e como apenas preparador de homens para a escravidão. O trabalho manual, acreditava ele, entorpece e deteriora a mente, não deixando tempo nem energia para a inteligência, para a política.
(Adaptado de DURANT, 2001. p. 80)

Apesar da sociedade grega ser voltada para as cidades e à vida urbana, a agricultura constituía-se na principal atividade econômica, ou seja, eram livres os camponeses que retiravam da terra seus próprios meios de subsistência. Por isso, possuir terra tinha grande importância para esta sociedade. Na maioria das cidades gregas dos séculos VI e V a.C., só os cidadãos podiam ser proprietários. No entanto, em suas poucas faixas de terras férteis, os homens gregos tentavam subtrair do solo fraco: frutas, leguminosas, trigo, cevada e, em maior escala, azeite de oliva e vinho. A escassez de terras facilitou a formação de núcleos urbanos independentes.
Mas, para manter a estrutura das cidades, conseguir tempo livre para dedicar-se a sua administração e produzir riqueza, foi necessário que generalizasse o trabalho escravo. Portanto, o escravismo tornou-se o modo de exploração econômico que sustentava a cidade e o campo e que proporcionava privilégios às elites gregas.
A escravidão na antiguidade originou-se, principalmente, da guerra ou das dívidas, sendo esta última forma abolida na Grécia por volta do século V a.C. A grande maioria dos escravos destinava-se ao trabalho agrário, no entanto, realizavam todo o tipo de trabalho, seja nas minas, nas oficinas, nas residências e para o Estado.
Mas o que era ser escravo na Grécia Clássica? Ser escravo nas pólis significava não poder participar da vida política, ser excluído de parte das festas religiosas, ser desprovido de direitos e da educação para jovens cidadãos. Assim, o que restava ao escravo?

Texto 2
Para um escravo tornar-se adulto não implicava um salto qualitativo ou uma preparação gradual, como acontecia com os filhos dos cidadãos livres. Se o adjetivo andrápodon, homem-pré, usado para designar o escravo, tendia a identificá-lo com a condição dos quadrúpedes, tetrapoda, o termo pais (relativo a criança), pelo qual era freqüentemente chamado, realçava a sua eterna condição de menoridade.
Como diz Aristófones nas Vespas ‘é justo chamar pais a quem apanha pancada, mesmo que seja velho’. Em Atenas, só se podia aplicar castigos físicos a escravos e a crianças, não a adultos livres. Talvez só os escravos pedagogos, que acompanhavam os filhos do senhor à casa do mestre, é que podiam aprender indiretamente a ler e a escrever, assistindo às lições. Mas, por princípio, a única instrução que um escravo podia receber estava associada ao tipo de trabalho que desempenhava na casa do patrão, numa gama que ia dos menos duros serviços domésticos ao trabalho duríssimo nas minas, reservado exclusivamente aos escravos e em que também se utilizavam crianças, não só nas minas da Núbia, de que nos fala Diodoro Sículo, mas também, nas minas atenienses do Láurio.
(CAMBIANO apud BORGEAUD et al., 1994, p. 79)

ATIVIDADE
Analise os textos 1 e 2 e construa sua narrativa histórica sobre como era a condição da escravidão na grega.

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