sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

OS MESTRES DO PENSAMENTO

OS SOFISTAS

No século V a.C., Atenas vivia o auge de um regime de governo no qual os homens livres decidiam os interesses comuns a todos os cidadãos. Em outras palavras, eles determinavam, em discussões públicas, como a cidade deveria ser administrada. Era considerado cidadão o homem que possuísse alguma propriedade ( uma casa, pelo menos), que tivesse escravos, e que não fosse estrangeiro. Ou seja, nem todos participavam das decisões públicas; as mulheres, por exemplo, eram excluídas. Esse regime de governo era a democracia ateniense que, embora não garantisse os mesmos direitos para todas as pessoas, representou uma importante mudança no modo de ver o mundo, pois tinha como fundamento a idéia de que o homem tem soberania sobre seu destino.
As propostas que os cidadãos atenienses defendiam publicamente eram feitas por meio de discursos proferidos na ágora . Para obter a aprovação da maioria, esses pronunciamentos deveriam conter argumentos sólidos e persuasivos: falar bem e de modo convincente era considerado, portanto, um dom muito valioso. Por isso, havia cidadãos que procuravam aperfeiçoar sua habilidade de discursar, a fim de melhor convencer os outros. A necessidade de se expressar bem, juntamente com a importância que foi dada ao individuo, naquele período concebido como o senhor de seu destino, favoreceu o surgimento de um grupo de filósofos chamados sofistas , que dominavam a arte da oratória, isto é, o uso habilidoso da palavra. Esses filósofos eram originários de diferentes cidades e viajavam pelas póleis governadas da mesma forma democrática, especialmente Atenas, onde discursavam em público e ensinavam sua arte em troca de pagamento.
Os sofistas, entretanto, não foram somente professores, mas também estabeleceram uma corrente de pensamento própria. Sua preocupação filosófica se voltava para o homem e a vida em sociedade; as questões que ocuparam os pré-socráticos, dirigidas para a natureza e a essência do universo, foram colocadas em segundo plano.
Alguns pensadores sofistas foram Górgias (483? – 376 a.C.), Hípias (século V a.C.) e Protágoras
(485? – 410? a.C.) , a quem se atribui uma famosa frase: “ O homem é a medida de todas as coisas” .
Para os sofistas, tudo devia ser avaliado segundo os interesses do homem e de acordo com a forma como este vê a realidade social. Isso significa que, segundo essa corrente de pensamento, as regras morais, as posições políticas e os relacionamentos sociais deveriam ser guiados conforme a conveniência individual. Para esse fim, qualquer pessoa poderia se valer de um discurso convincente, mesmo que falso ou sem conteúdo. Os sofistas usavam, de fato, complicados jogos de palavras velhas, trocadilhos, raciocínios sem lógica, todos os recursos do discurso para demonstrar a “verdade” daquilo que se pretendia alcançar. Esse tipo de argumento ganhou o nome de sofisma.
Segundo a sofistica, o que importava para o ser humano era obter prazer com a satisfação de seus instintos, de seus desejos individuais. Assim, até mesmo dominar outros cidadãos seria justificado, se isso gerasse alguma vantagem pessoal.
Em resumo, a sofistica, destruía os fundamentos de todo conhecimento, já que tudo seria relativo e os valores seriam subjetivos, assim como impedia o estabelecimento de um conjunto de normas de comportamento que garantissem os mesmos direitos para todos os cidadãos da pólis.
Foi nesse contexto que surgiu um pensador cuja doutrina se opunha profundamente a sofistica: Sócrates.

QUESTÕES PARA REFLEXÃO
1- Em contraste com o período pré-socrático, marcado por reflexões cosmológicas, qual foi a grande característica do período sofista?
2- Caracterize os sofistas. Qual o objetivo básico de suas lições?
3- Qual a concepção de mundo contida nas célebres palavras de Protágoras: “O homem é a medida de todas as coisas” ? Explique. Comente.
4- Nos dias de hoje, seria aplicável a distinção entre doxa (opinião) e epistéme ( conhecimento)? Haveria filodoxos (amantes da opinião) e filósofos (amantes do saber)? Explique.
5- Se todos os cidadãos buscassem somente os seus interesses individuais, conforme recomendava a sofística, o que aconteceria na pólis em termos de sua organização? O que significaria a vida pública para o homem que estivesse apenas interessado em seu próprio proveito?

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